A realidade pauta a imprensa? Sim, não há como negar, são os fatos cotidianos que pautam aquilo que vai sair no jornal. Seria desastroso (para os jornais, diga-se de passagem) se as pessoas passassem a acreditar que as redações criam notícias, inventam ocorrências policiais, falsificam informações. Não, não vamos tão longe. Vamos supor que tudo o que sai no jornal é verídico. Ainda assim, cabe a pergunta: será que é possível a imprensa fazer a cobertura de todos, absolutamente todos os fatos que acontecem nas vidas das pessoas diariamente? Será que a realidade cabe num telejornal? Ou num jornal impresso?
Nas semanas que se seguiram ao acidente da TAM, em Congonhas, a mídia nacional virou boletim da Infraero. O mecânico peidou? Faltou papel na impressora do secretário? O painel eletrônico pifou? Tudo isso se tornou passível de aparecer em horário nobre, nas vozes radiofônicas do casal porta voz do Brasil. Ah meu amigo, após um acidente desses também... você queria o quê? O povo quer saber... Será?
A teoria do Agendamento foi criada na década de 70, nos Estados Unidos e explica a correspondência entre a intensidade de cobertura de um fato pela mídia e a relevância desse fato para o público. Segundo os teóricos que a inventaram, “na maior parte do tempo, a imprensa pode não ter êxito em dizer aos leitores o que pensar, mas é espantosamente eficiente em dizer aos leitores sobre o que pensar". Destacar determinados assuntos em detrimento de outros é o papel diário das redações. O que vai render mais audiência? O que é mais importante? Pra quem isso é mais importante? O que nos interessa mostrar/repercutir? Isso quem determina não é você, Homer...agora feche os olhos e se concentre...vai começar o jornal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário